Congresso 2026

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O Mundo Por Renda

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Os países são classificados a cada ano em 1º de julho, o início do ano fiscal do Banco Mundial, com base nos dados do INB per capita (método Atlas do Banco Mundial) para o ano civil anterior. Para o ano fiscal de 26, a classificação usa o GNB per capita para 2024. Os limites do mapa representam os limites a partir de 2020 e não mudam ao longo do tempo. As fronteiras ou nomes dos países não refletem necessariamente a posição oficial do Grupo Banco Mundial. Este mapa é para fins ilustrativos e não implica a expressão de qualquer opinião por parte do Banco Mundial, sobre o status legal de qualquer país ou território ou sobre a delimitação de fronteiras ou limites.

14 a 16 de maio de 2026

Local: Universidade Politécnica

1011 Avenida Paulo Samuel Kankhomba, Maputo, Moçambique
Dúvidas, doações e colaborações: congressmaputo@gmail.com

Fundamentação

O Círculo Psicanalítico de Moçambique e seus parceiros, em continuidade com os esforços desenvolvidos há vários anos em Moçambique no campo da psicanálise e da psicoterapia psicodinâmica, reafirmam seu compromisso em permanecer atentos às dinâmicas sociais e políticas do país e do mundo. Nesse espírito, está em organização o IV Congresso Internacional de Psicanálise: “Crianças, Guerra e Persecução – Revisitar feridas, reinscrever a esperança”, que será realizado em Maputo, Moçambique.

Inicialmente previsto para Maio de 2025, o Congresso foi reagendado para os dias 14 a 16 de Maio de 2026, devido ao contexto de instabilidade político-social vivido no país naquele período.

Este evento tem como principal objectivo criar um espaço de reflexão crítica sobre as múltiplas formas de violência organizada, exercida contra crianças e suas famílias — violência militar, perseguição política e religiosa, tortura, desaparecimento forçado dos pais, genocídio, deslocamento forçado, pobreza extrema e exclusão social. Muitas crianças e adolescentes são obrigados a combater, a transportar armas ou a prestar apoio logístico, como transporte de munições ou preparação de alimentos para fins militares. Raparigas, em particular, são frequentemente vítimas de exploração sexual. No norte de Moçambique, observa-se o aliciamento de jovens por grupos armados, sob a bandeira de uma suposta jihad islâmica, a se juntarem às suas fileiras.

O Congresso propõe-se a examinar o mundo relacional — o espaço onde os mundos interno e externo se interligam —, explorando os efeitos transgeracionais da violência e suas implicações psíquicas. Serão discutidas abordagens terapêuticas que integram e combinam a psicanálise com formas específicas de intervenção contextualizadas. Pretende-se, também, promover uma releitura crítica da teoria e da prática psicanalíticas a partir de uma perspectiva do Sul Global, valorizando saberes, experiências e práticas locais.

O tema central deste IV Congresso convida a uma reflexão aprofundada sobre o sofrimento psíquico infantil ao longo do tempo e do desenvolvimento, com ênfase na reintegração social e nos complexos e duradouros processos de reconciliação.

Serão ainda debatidos os processos transgeracionais que contribuem para a perpetuação do sofrimento e da violência, numa tentativa de compreender e intervir sobre os ciclos traumáticos que atravessam gerações.

Eixos Temáticos

Com esta temática, propomos promover uma reflexão profunda e abrangente sobre os efeitos da violência nas infâncias e juventudes, estruturando o debate em três dimensões interligadas: individual, relacional/familiar e sociocultural/transgeracional.

Aspectos individuais

  1. Qual é o impacto no desenvolvimento infantil, decorrente da exposição à violência militar, religiosa e estatal?

  2. De que forma a escuta psicanalítica e a construção de narrativas — tanto da criança quanto da sua família — contribuem para a integração de experiências frequentemente incompreensíveis, mas que insistem em ser compreendidas?

  3. Como as crianças afetadas por traumas incorporam essas vivências nos seus projectos de vida, na sua auto compreensão e na sua visão do mundo?

  4. Que marcas psíquicas essas experiências deixam nos sujeito?

  5. Quais são os factores de risco a que as crianças estão expostas em contextos de guerra? E que factores de protecção podem ser identificados nesses mesmos contextos?

  6. Como podemos apoiar os jovens no reencontro com caminhos de desenvolvimento saudável e progressivo, mesmo diante de tensões e conflitos que bloqueiam ou desorganizam o seu crescimento?

Aspectos familiares e relacionais

  1. Quais são os factores de risco e de protecção presentes nas dinâmicas familiares em contextos de violência?

  2. Como podemos encorajar adultos — mesmo em culturas onde o silêncio sobre sentimentos é dominante — a conversar com crianças e adolescentes sobre emoções, traumas e contextos adversos?

  3. Qual é o papel dos pais nessas situações e como respondem aos pedidos de ajuda — explícitos ou implícitos — dos seus filhos?

Aspectos socioculturais e transgeracionais

  1. De que modo os legados transgeracionais do colonialismo continuam a influenciar o sofrimento das famílias e comunidades?

  2. Como podemos articular a escuta e o cuidado psicanalítico com formas tradicionais de cura presentes nas culturas locais?

  3. De que maneira essas culturas moldam factores de protecção e também os factores de risco no enfrentamento do trauma?

  4. Como a psicanálise pode aprender com os saberes e práticas da medicina tradicional, especialmente no que se refere à etiologia, prevenção, reparação e cura do sofrimento psíquico infantil?

  5. Que efeitos têm o deslocamento forçado, o exílio, os stresses contínuos e os traumas sequenciais nas crianças e nas suas famílias?

  6. Como as teorias e práticas herdadas dos modelos coloniais contribuem ainda hoje para a reprodução da violência, da pobreza e da exclusão social?

  7. Em que medida podemos falar de “traumatização coletiva”, tanto entre os povos colonizados quanto entre os colonizadores?

  8. Considerando que muitos conflitos armados ocorrem em países como Moçambique — onde há escassez de psicanalistas, psicoterapeutas e profissionais de saúde mental —, que modelos de cuidado podem ser eficazes para atender milhares de crianças e suas famílias? Quais podem ser consideradas as “melhores práticas” nesses contextos?

  9. Como estabelecer projetos comunitários que reconectem os jovens à brincadeira, à criatividade e à autoexpressão — por meio de música, artes visuais, teatro, contação de histórias, entre outras formas?

  10. De que maneira é possível promover tanto a expressão individual quanto actividades colectivas que tenham um carácter psicoterapêutico e que, por meio da educação informal, ensinem a tolerância à diversidade, o respeito às diferenças e a resolução de conflitos sem o uso da violência?

  11. Como atender adequadamente às necessidades de jovens que passaram por experiências traumáticas graves?

  12. E como podemos explorar, com os jovens, temas da ética e da filosofia, de forma a desenvolver a sua capacidade de pensar criticamente e de ver o mundo tanto a partir da sua própria perspectiva como da dos outros?

Estes são os pontos de partida da nossa proposta para a construção de intervenções que, acreditamos, possam ser mais potentes, humanas e transformadoras.

Trabalhos

As comunicações podem apenas ser feitas no formato presencial, em Maputo. O Congresso será híbrido, mas, os oradores que desejem apresentar trabalhos, devem estar em Maputo nos dias do Congresso.

As comunicações podem ter a duração de, no máximo,

20 minutos.

Estamos abertos a outras formas de apresentações, além das palestras formais. Isso pode incluir filmes, apresentações dramáticas entre outros. No entanto, nesse caso o interessado deve entrar em contacto com a Comissão Científica. Os abstracts deverão ter entre 250 e 500 palavras, devendo adicionalmente incluir: nome do autor, respectivas filiações institucionais (caso se aplique), país, endereço de e-mail e, ainda, um resumo e a nota biográfica dos mesmos, até 10 linhas. O Congresso terá lugar em português e inglês, simultaneamente, podendo os resumos ser apresentados em qualquer destas línguas.

Envio das comunicações para o e-mail: congressmaputo@gmail.com

Data limite para recepção dos abstracts: 1 de Dezembro de 2025.

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